Simone e Johanna


Hoje quero homenagear duas mulheres, pelo facto de ambas terem nascido no mesmo dia, embora em anos diferentes — duas mulheres muito importantes na minha vida.

A mais velha — a francesa Simone de Beauvoir.
Entre os 15 e 17 anos, lia tudo o que apanhava dela.
"O Segundo Sexo" era a minha bíblia, e ainda hoje, não me deixa indiferente.
É óbvio, que com a minha origem e educação burguesa, não poderia deixar de me identificar com as "Memórias de uma menina bem-comportada".
Aos 15 anos — tal como Simone — deixei de acreditar em Deus.
Queria como Sartre e Simone uma união livre — em vez de pedi-la em casamento, Sartre propõe-lhe um pacto no qual monogamia e mentira não
teriam lugar. Sartre acredita que antes de serem amantes, eles eram escritores, e como tal precisariam conhecer a fundo a alma humana, multiplicando suas experiências individuais e contando-as, um ao outro, nos mínimos detalhes.

Entre Simone e Sartre o amor seria necessário, com as demais pessoas, seria contingente. Beauvoir aceita o pacto, pois ele está de acordo com suas próprias convicções.


A outra — a minha sogra.
Johanna foi uma mulher que se realizou na sua vida através do amor pela sua família de uma forma quase dolorosa — ao todo seis filhos.
Mulher de uma força telúrica, por vezes mesmo assustadora.
De certo modo sou o negativo de Johanna — e no início houve toda uma série de conflitos entre nós as duas — mas depressa compreendemos que a nossa pequena guerra não podia continuar no futuro e, influenciada por ela, consegui controlar as minhas próprias inclinações feministas, o meu ódio pelo trabalho doméstico e o desprezo que sentia por quem o executava.

Bem vistas as coisas, Simone e Johanna foram cada uma delas à sua maneira — duas mulheres extraordinárias.