A Casa da Torre


Como a minha mãe era natural de Trás-os-Montes, já tinha 8 anos quando viu pela primeira vez o mar. Desde aquele momento que detestou o mar, a areia, o sol.
Já mãe e a viver no Porto ainda tentou fazer comigo uma temporada de praia: alugou uma barraca na Praia de Leça da Palmeira, onde se escondia todo o dia para evitar apanhar qualquer raiozito de sol. Um dia as suas pernas incharam de tal maneira e sentiu-se tão indisposta, que foi obrigada a chamar o médico. Nunca mais lá voltamos. 
Enquanto todas as minhas amigas faziam férias junto ao mar, eu tinha de me contentar em acompanhar a minha mãe até Caldelas. 
Desde sempre que os meus tios de Lisboa queriam que eu os visitasse e passasse com eles o Verão na casa da Assafora, mas como a minha mãe nunca gostou da família do meu pai, recusava-se que eu fosse.  
Num Verão, tinha eu nessa altura 15 anos, tanto insisti, que ela acabou por me me deixar ir. A partir de então e até eu ir para Londres, passei todos os verões nas casas dos meus tios de Lisboa e da Assafora. Não exagero ao dizer que foram os verões mais felizes da minha vida.   
A Casa da Torre ficava dentro do pinhal e para irmos à praia tínhamos que descer uma falésia, daí ter por nome a Praia da Falésia. Nunca cheguei a saber o verdadeiro nome dessa praia deserta, não vigiada, tendo os meus tios, os seus amigos e convidados como únicos frequentadores.